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Dia de finados: especialista mostra a importância de saber elaborar o luto

A palavra “Finados”, significa algo que findou, se foi ou morreu. Em nosso país, esse dia, tradicionalmente marcado para 2 de novembro, é dedicado a homenagear os entes queridos que já morreram, visitar seus túmulos, levar flores e orar pelas suas almas.

Por MF Press Global

28/10/2020 às 13h03

Luto: aprendendo a lidar com a morte e ausência

Conforme registros históricos, a tradição do Dia de Finados foi instituída pela Igreja Católica no século X e diz que os vivos devem interceder pelas almas que estão no purgatório esperando a purificação. Mas, o costume é mais antigo do que se imagina. Desde o século II, ao que tudo indica, já se tem indícios de cristão que rezavam por seus falecidos, visitando os túmulos dos mártires e pedindo pelos que já morreram.

Aos poucos, então, a Igreja foi aderindo ao costume e no século V já era costume dedicar um dia do ano para rezar por todos os mortos, especialmente pelos quais não tinham família e ninguém se lembrava de pedir por suas almas. Mas, a escolha do dia 2 de novembro como a data oficial para celebrar o Dia de Finados só foi feita mesmo no século XIII. Os responsáveis pela Igreja escolheram o dia por suceder o Dia de Todos os Santos, tradicionalmente comemorado em 1º de novembro.

Vivenciar o Luto é Saudável

Segundo a neuropsicóloga Leninha Wagner, os sentimentos que emergem com o luto são aqueles mais desafiadores de se lidar: Perda, dor, despedida, vazio. “Por isso muitas vezes nos sentimos tentados a ultrapassar rapidamente este momento para abreviar o sofrimento. Mas nem sempre o atalho é o melhor caminho a seguir. Sobretudo se estamos falando de como nos relacionar com as emoções. As emoções negativas, são extremamente difíceis de serem digeridas, mas se acolhermos e compreendermos a finitude humana, encontraremos uma dimensão curativa na elaboração do luto”.

Além disso, ela detalha que o luto “é um processo que resulta de uma ‘perda’ significativa para a nossa vida, e se refere a um investimento afetivo que não tem mais quem o ‘receba’. Não se trata, portanto, de um obstáculo a ser vencido o mais breve possível!” Leninha lembra ainda que “se não vivermos o luto até o fim, não elaboramos a perda, impedindo o término desse processo”.

Na maior parte das vezes, a sociedade compreende o luto como um processo instaurado pela morte ‘concreta’, de alguém próximo. Mas, destaca Leninha, “ele pode estar relacionado também a rompimentos de outras naturezas, ou ao encerramento de ciclos. Como por exemplo, o término de um relacionamento, o rompimento de uma amizade, a perda de um emprego ou mesmo de um projeto de vida”. Mas, a neuropsicóloga detalha, “em qualquer um dos casos, ele é um momento fundamental porque implica na ressignificação de emoções e na restauração do indivíduo após a perda do objeto amado”.

Após um tempo, é necessário recolher o investimento afetivo, pois já não há a quem entregar esse sentimento. Para isso, observa Leninha, é fundamental descobrir outras fontes de desejo e de prazer: “Então, o melhor é se permitir passar pelo processo de transformação gerado por esse ‘adeus’ que vai nos preparar para os caminhos que podem surgir no futuro. É importante viver isso para deixar o ‘novo’ chegar”.

Não é um caminho fácil

No entanto, vale lembrar que quando se trata de viver o luto, não existe um padrão de comportamento a ser seguido, acrescenta Leninha: “Algumas pessoas ficam mais à flor da pele, sentem vontade de falar, chorar e de contar com a companhia de alguém. Mas há quem opte em se recolher porque precisa desse isolamento para reorganizar as emoções. Não existe uma maneira ‘melhor’ ou ‘pior’ de vivenciar essa experiência, então o mais importante é respeitar o processo de cada um”. Nesse sentido, Leninha Wagner lembra que “existem várias gradações do luto, em alguns casos ele pode ser mais longo, em outro, ele pode ser mais breve. Se a pessoa sentir que precisa de ajuda, é fundamental que ela possa pedir sem medo, que ela não se furte a esse direito. Nessas horas a postura dos amigos e familiares que estão em volta faz total diferença”.

Mas atenção: Leninha ressalta que “negar a expressão da dor do outro com comandos como ‘não chore’, ‘pare de sofrer, porque ele (a) não quer te ver triste’ são desencorajadores. Você estará ajudando muito mais se demonstrar entender a dor do outro. O outro precisa ver a sua dor ‘legitimada’, afinal aquela morte abriu um ‘rombo de dor e saudade’ em seu coração. Então é preciso deixar a pessoa à vontade para experienciar a dor do seu jeito, sem que seja censurado. Isso é importante para o processo de ‘cura”, explica.

Quando é necessário acompanhamento psicológico?

É difícil medir, mas Leninha observa quando a pessoa fica parada no tempo em que o outro se foi, não consegue falar de marcos de outros tempos, é bom ficar alerta. “Principalmente se percebemos que o tempo passou e nada se realocou. Claro que alguns podem se fortalecer mais rápido, mas a sensação de imobilidade por um longo período é preocupante”. No entanto, o extremo desse comportamento também gera preocupação, isto é, “não entrar em contato com essa dor. Pois estamos conectados o tempo todo, e em época de pandemia esse comportamento se intensificou. E as grandes infelicidades não aparecem nos palcos das redes socais, todos querem parecer e aparentar que estão felizes”. Essa “ditadura da felicidade” pode se esconder, avalia Leninha, “nos bastidores, causando doenças reais, como depressão, ansiedade, síndrome do pânico etc.”.

A neuropsicóloga ressalta que é importante avaliar cada passo dado, pois “estamos trabalhando remotamente e de forma quase incessante, não ter tempo para elaborar as dores da vida, nos movimentos naturais de perda e finitude é negar vive como humanos que somos, é adoecer!” Assim, a preocupação é pertinente, pois quando “perdemos alguém ou algo que amamos, e entramos novamente na roda da vida, atendendo a demanda do mundo externo sem nos conectarmos com nossos conteúdos internos”, é nos tornarmos estranhos e desconhecidos à nós mesmos.

O luto, completa Leninha, “deve nos permitir entrar em contato com nossa característica mais concreta: a finitude. Somos seres vivos, tudo que é vivo tem um começo, um meio e um fim. Por isso o tempo e a vida, são tão caros. Porque partimos”. “Precisamos viver antes de morrer”, aconselha.

Elaboração do luto

Leninha Wagner destaca que o processo de luto “é instalado para a elaboração de uma perda, consistindo no desligamento da libido a cada uma das lembranças e expectativas relacionadas ao objeto perdido, por isso, é considerado um processo lento e penoso”. E suas fases são:

1- Negação: “Eu estou bem”.

2- Raiva: “Isto não é justo”.

3- Negociação: “Eu faria qualquer coisa pra não passar por isso”.

4- Depressão “Eu estou tão triste”.

5- Aceitação: “Era pra ser assim”.

“A perda de algum objeto amado traz, ainda que momentânea, a fragmentação e desestruturação do sujeito. O luto é um processo de reconstrução e reorganização diante de uma perda, desafio psíquico com o qual o sujeito tem de lidar”, completa a neuropsicóloga. E ela finaliza: “Diante de um luto patológico, da impossibilidade de elaborar uma perda, onde a pessoa não consegue se reorganizar, busque ajuda profissional”, alerta.

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