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Se a Pabllo não engravida, por que ela usa camisinha? Perguntam comentaristas em clipe da cantora

Manifestação foi feita em vídeo que promove uso de preservativos

Por Priscila Belmont

10/09/2017 às 10h03 • atualizado em 10/09/2017 às 10h04

Pabllo em clipe feito em parceria com o Ministério da Saúde - Divulgação

O novo clipe de Pabllo Vittar com Matheus Carrilho, Corpo Sensual, promove o uso de preservativos. O vídeo foi feito em parceria com o Ministério da Saúde e estreou na última quarta-feira (6). Apesar do pouco tempo de lançamento, o projeto tem causado polêmica.

No campo de comentários do YouTube, diversas pessoas questionaram o motivo da cantora drag queen usar camisinha, já que ela não tem útero e não pode engravidar.

As manifestações ignoram completamente que o método não é aplicado apenas como contracpeção, mas também para prevenir o contágio de doenças sexualmente transmissíveis.

O posicionamento dos comentaristas confirma os alarmantes dados divulgados pelo último boletim epidemológico publicado pelo Governo Federal. No levantamento, é informado que na faixa etária entre 20 e 24 anos, a taxa de detecção de HIV subiu de 16,2 casos por 100 mil habitantes, em 2005, para 33,1 casos em 2015.

A incidência de outras doenças sexualmente transmissíveis também aumentou, já que o fator em comum entre elas continua o mesmo: a falta de camisinha nas relações sexuais. O preservativo é usada em apenas 40% das relações sexuais.

O contador Gilberto Pereira, soropositivo, relata que a campanha está trazendo à tona preconceitos de todos os lados, inclusive dentro da comunidade LGBT.

— Quem diz que Pabllo não engravida, faz vistas grossas às DSTs e principalmente ao sexo anal, que também ocorre entre héteros, e é um fator que aumenta o risco de contrair HIV. Eu sou gay soropositivo e tenho muito a lamentar sobre toda a hipocrisia e preconceito que envolve esse caso.

O Ministério da saúde afirma ainda que, no caso da Aids, a infecção cresce entre os homens em todas as faixas etárias. De 827 mil infectados no Brasil, 112 mil pessoas sequer sabem que têm o vírus.

E o estudo vai além: entre os anos de 2014 e 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes 20,9% e congênita, de 19%. Em 2015, o número total de casos notificados de sífilis adquirida no Brasil foi de 65.878. No mesmo período, a taxa de detecção foi de 42,7 casos por 100 mil habitantes e a maioria são em homens, 136.835 (60,1%). No período de 2010 a junho de 2016, foi registrado um total de 227.663 casos de sífilis adquirida.

No entanto, o médico infectologista Antoni Carlos Bandeira, acredita que as campanhas que alertam sobre os perigos das DSTs não se aprofundam na abordagem do tema e repetem o mesmo conceito desde o início.

— No geral, as pessoas sabem que transar sem proteção pode não só gerar uma gravidez indesejada, como também aumentar o risco de transmissão de DSTs. O que essas peças publicitárias não discutem são as variáveis que fazem as pessoas não usar camisinhas. O consumo de alcool e drogas, por exemplo, interfere diretamente no esquecimento da proteção. Também existem casos em que a pessoa mais frágil da relação desiste de tentar convencer o parceiro a usar e se expõe. São várias particularidades que existem. Usar um cantor da moda para dizer que é preciso usar camisinha pode ser ótimo, mas não garante resultados positivos no combate às DSTs —, garante o médio, que também é professor da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador.

R7

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